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domingo, 10 de abril de 2016

Diretrizes para a operação cesariana no Brasil!

Olá gente!!!
   O Ministério da Saúde lançou um protocolo para incentivar o parto normal e reduzir o número de cesarianas desnecessárias no Brasil!!! ( Espero que saia do papel!)  Como as indicações de operação cesariana têm despertado divergência de opiniões no País, propõem-se as Diretrizes para orientar profissionais da saúde e a população em geral sobre as melhores práticas relacionadas ao tema baseadas nas evidências científicas existentes.
Hoje vim compartilhar com vocês a síntese das diretrizes para a operação cesariana no Brasil. tem dúvidas sobre as indicações reais de cesárea? quer se informar para não cair numa cesárea desnecessária? Então vamos lá:

Diretrizes para a operação cesariana no Brasil

Oferta de Informações: É recomendado fornecer informações para as gestantes durante a atenção pré-natal, parto e puerpério baseadas em evidências atualizadas, de boa qualidade, apontando benefícios e riscos sobre as formas de parto e nascimento, incluindo a gestante no processo de decisão. 

Termo de Consentimento: É recomendada a obtenção de um termo de consentimento informado de todas as mulheres que serão submetidas à operação cesariana programada. Quando a decisão pela operação cesariana programada for tomada, é recomendado o registro dos fatores que influenciaram na decisão e, quando possível, qual deles é o mais influente. 

Apresentação Pélvica: Em apresentação pélvica, e na ausência de contra indicações (*), a versão cefálica externa é recomendada a partir de 36 semanas de idade gestacional, mediante termo de consentimento informado. A versão cefálica externa deve ser ofertada às mulheres e realizada por profissional experiente com esta manobra, em ambiente hospitalar. Em situações nas quais a versão cefálica externa estiver contra indicada (*), não puder ser praticada ou não tiver sucesso, a operação cesariana é recomendada para gestantes com fetos em apresentação pélvica. A operação cesariana programada por apresentação pélvica é recomendada a partir de 39 semanas de idade gestacional. Sugere-se aguardar o início do trabalho de parto. Na situação de a mulher decidir por um parto pélvico vaginal, é recomendado que seja informada sobre o maior risco de morbidade e mortalidade perinatal e neonatal e que a assistência seja realizada por profissionais experientes na assistência ao parto pélvico, mediante termo de consentimento informado. Durante a assistência pré-natal, as mulheres devem ser informadas sobre as instituições e profissionais que assistem o parto pélvico. 
(*) Contra indicações para a versão cefálica externa incluem o trabalho de parto, comprometimento fetal, sangramento vaginal, bolsa rota, obesidade materna, operação cesariana prévia, outras complicações maternas e inexperiência do profissional com o procedimento.

Gestação Múltipla: Em gestação gemelar não complicada cujo primeiro feto tenha apresentação cefálica, é recomendado que a decisão pelo modo de nascimento seja individualizada considerando as preferências e prioridades da mulher, as características da gestação gemelar (principalmente corionicidade), os riscos e benefícios de operação cesariana e do parto vaginal de gemelares, incluindo o risco de uma operação cesariana de urgência/emergência antes ou após o nascimento do primeiro gemelar. No caso de gestação gemelar não complicada cujo primeiro feto tenha apresentação não cefálica, a operação cesariana é recomendada.

Nascimento Pré-termo: Na ausência de outras indicações, a operação cesariana não é recomendada como forma rotineira de nascimento no trabalho de parto pré-termo em apresentação cefálica.

Feto pequeno para a idade gestacional: Na ausência de outras indicações, a operação cesariana não é recomendada como forma rotineira de nascimento em caso de feto pequeno para idade gestacional.

Placenta prévia: A operação cesariana programada é recomendada como forma de nascimento em caso de placenta prévia centro-total ou centro-parcial.

Acretismo placentário: Em gestantes com placenta prévia é recomendada a realização de um exame ultrassonográfico com doppler entre as semanas 28 e 32 da gestação, ou antes, se possível, para investigação de acretismo placentário. É recomendado que as gestantes com diagnóstico ultrassonográfico de acretismo placentário recebam atenção especializada em serviços de referência. Em gestantes com acretismo placentário, é recomendado programar a operação cesariana. Nas situações de suspeita de placenta increta ou percreta, é recomendado programar a operação cesariana para as semanas 34-36 da gestação. No momento da operação cesariana, é recomendada a presença de dois obstetras experientes, anestesista e pediatra para o procedimento, bem como equipe cirúrgica de retaguarda. É recomendada a tipagem sanguínea e a reserva de hemocomponentes para eventual necessidade durante o procedimento. O serviço de referência deve assegurar condições de suporte para pacientes em estado grave.

Preditores da progressão do trabalho de parto: A utilização de pelvimetriaclínica não é recomendada para predizer a ocorrência de falha de progressão do trabalho de parto ou definir a forma de nascimento. A utilização de dados antropométricos maternos (por exemplo, a altura materna ou tamanho do pé) não são recomendados para predizer a falha de progressão do trabalho de parto.

Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV): Confirmar a idade gestacional adequadamente, a fim de se evitar a prematuridade iatrogênica. Utilizar parâmetros obstétricos, como data correta da última menstruação, altura uterina, ultrassonografia precoce (preferencialmente no 1° trimestre, ou antes da 20ª semana). A operação cesariana eletiva deve ser realizada na 38ª semana de gestação, a fim de se evitar a prematuridade ou o trabalho de parto e a ruptura prematura das membranas. Caso a gestante com indicação para a operação cesariana eletiva inicie o trabalho de parto antes da data prevista para essa intervenção cirúrgica e chegue à maternidade com dilatação cervical mínima (menor que 4 cm), o obstetra deve iniciar a infusão intravenosa de Zidovudina (AZT) e realizar a operação cesariana, se possível, após 3 horas de infusão. Sempre que possível, proceder ao parto empelicado (retirada do neonato mantendo as membranas corioamnióticas íntegras). Não realizar ordenha do cordão umbilical, ligando-o imediatamente após a retirada do RN. Realizar a completa hemostasia de todos os vasos da parede abdominal e a troca das compressas ou campos secundários antes de se realizar a histerotomia, minimizando o contato posterior do recém-nascido com sangue materno. Utilizar antibiótico profilático, tanto na operação cesariana eletiva quanto naquela de urgência: dose única endovenosa de 2g de cefalotina ou cefazolina, após o clampeamento do cordão.

Infecção pelo Vírus da Hepatite B: A operação cesariana não é recomendada como forma de prevenção da transmissão vertical em gestantes com infecção por vírus da hepatite B. 

Infecção pelo Vírus da Hepatite C: A operação cesariana não é recomendada como forma de prevenção da transmissão vertical em gestantes com infecção por vírus da hepatite C. A operação cesariana programada é recomendada para prevenir a transmissão vertical do HIV e Hepatite C em mulheres com esta co-infecção. 

Infecção pelo vírus Herpes simples (HSV): A operação cesariana é recomendada em mulheres que tenham apresentado infecção primária do vírus Herpes simples durante o terceiro trimestre da gestação. A operação cesariana é recomendada em mulheres com infecção ativa (primária ou recorrente) do vírus Herpes simples no momento do parto.

Obesidade: A operação cesariana não é recomendada como forma rotineira de nascimento de feto de mulheres obesas.

Profilaxia de infecção cirúrgica: É recomendado oferecer antibioticoprofilaxia antes da incisão na pele na intenção de reduzir infecção materna. A escolha do antibiótico para reduzir infecção pós operatória deve considerar fármacos efetivos para endometrite, infecção urinária e infecção de sítio cirúrgico. Durante a operação cesariana, é recomendada a remoção da placenta por tração controlada do cordão e não por remoção manual, para reduzir o risco de endometrite.

Assistência à mulher com operação cesariana prévia: É recomendado um aconselhamento sobre o modo de nascimento para gestantes com operação cesariana prévia que considere: as preferências e prioridades da mulher, os riscos e benefícios de uma nova operação cesariana e os riscos e benefícios de um parto vaginal após uma operação cesariana, incluindo o risco de uma operação cesariana não planejada. É recomendado que as mulheres com operações cesarianas prévias sejam esclarecidas de que há um aumento no risco de ruptura uterina com o parto vaginal após operação cesariana prévia. Este risco é, a princípio, baixo, porém aumenta à medida que aumenta o número de operações cesarianas prévias. Na ausência de outras contraindicações, é recomendado encorajar a mulher com uma operação cesariana prévia a tentativa de parto vaginal, mediante termo de consentimento informado. É recomendado que a conduta em relação ao modo de nascimento de fetos de mulheres com duas operações cesarianas prévias seja individualizada e considere os riscos e benefícios de uma nova operação cesariana e os riscos e benefícios de um parto vaginal após duas operações cesarianas, incluindo o risco aumentado de ruptura uterina e de operação cesariana adicional não planejada, e as preferências e prioridades da mulher, mediante termo de consentimento informado. Durante a assistência pré-natal, as mulheres devem ser informadas sobre as instituições e profissionais. que assistem o parto vaginal após duas operações cesarianas. Os profissionais e instituições de saúde devem ter resguardada sua autonomia em relação à aceitação ou não da assistência ao parto vaginal após duas operações cesarianas. A operação cesariana é recomendada para mulheres com três ou mais operações cesarianas prévias. O trabalho de parto e parto vaginal não é recomendado para mulheres com cicatriz uterina longitudinal de operação cesariana anterior.
A avaliação ultrassonográfica da cicatriz uterina pós-cesariana segmentar e pelvimetria não são recomendadas como rotina em caso de mulher com uma ou mais operações cesarianas prévias. Em mulheres com operação cesariana prévia e intervalo entre partos inferior a 15 meses (ou intergestacional inferior a seis meses), é recomendado individualizar a conduta relativa ao modo de nascimento.
Para as gestantes que desejam um parto vaginal (espontâneo ou induzido) após operação cesariana é recomendada a monitorização materno-fetal intermitente e assistência que possibilite acesso imediato à operação cesariana. Em mulheres com operação cesariana prévia e indicação para indução de trabalho de parto, é recomendado o uso de balão cervical ou ocitocina. O uso de misoprostol para indução do parto em mulheres com cicatriz de cesariana prévia, independentemente do número de cesáreas, não é recomendado.

Cuidado do recém-nascido: Quando o nascimento ocorrer por operação cesariana, é recomendada a presença de um médico pediatra adequadamente treinado em reanimação neonatal. Em situações onde não é possível a presença de um médico pediatra em nascimentos por operação cesariana, é recomendada a presença de um profissional médico ou de enfermagem adequadamente treinado em reanimação neonatal. 
É recomendado o clampeamento tardio do cordão umbilical para o recém-nascido (RN) a termo e pré- termo com ritmo respiratório normal, tônus normal e sem líquido meconial. Nos casos de mães isoimunizadas, ou portadoras de vírus HIV ou HTLV (vírus linfotrópicos de células T humanas), o clampeamento deve ser imediato.  É recomendado suporte adicional para a mulher que foi submetida à operação cesariana para ajudá-las a iniciar o aleitamento materno tão logo após o parto. 

Ligadura Tubária: É recomendado que o modo de nascimento não seja determinado em função da realização da ligadura tubária.

Para ler o texto na íntegra Clique aqui!!!


sábado, 14 de março de 2015

Episiotomia: Pelo fim dessa mutilação!!!

"... Mas esse "cortezinho" num tem que fazer não?"

   Começo esse post com essa pergunta acima que foi feita à mim por uma gestante em uma roda de gestantes, onde falávamos sobre as condutas desnecessárias no trabalho de parto e parto. Quando cheguei na parte da episiotomia me deparei com duas situações:
1ª: NENHUMA das mulheres ali presente sabiam o que significava a palavra EPISIOTOMIA!
2ª: A maioria achavam que a episiotomia SEMPRE tinha que ser feita!
    Bem, diante dessas situações pude chegar a conclusão de que a falta de informação e conhecimento ainda predomina dentre as gestantes, o que faz com que esse grupo seja extremamente vulnerável aos mais variáveis tipos de violência obstétrica, sendo a episiotomia uma das mais comum.
   Vamos falar sobre essa prática, que já foi até citada em outro post Violência Obstétrica: Marcas que fica para sempre! e entender o por quê dela ser considerada uma violência contra  mulher!

    Vamos ao que interessa...

   A episiotomia é um corte que se faz entre a vagina e o ânus da mulher para "facilitar" a saída do bebê durante o parto.
   É um procedimento cirúrgico que consiste em fazer uma incisão na pele, gordura e músculo da parturiente, bem na hora em que a cabeça do bebê está nascendo, após realização de anestesia local, OU não! É isso mesmo, as vezes a episiotomia é feita "no cru". A Episiotomia é feita em direção à coxa ou ânus da mulher. Geralmente utiliza-se um bisturi para fazer a incisão inicial, e depois aumenta-se essa incisão com uma tesoura cirúrgica.
   O músculo cortado chama-se períneo, responsável por sustentar os órgãos abdominais, garantir mais prazer no sexo e diminuir dores nas contrações. Após o corte, é necessário fazer uma sutura (costura) da área lesada, esse procedimento chama-se episiorrafia. O tamanho desse corte é variável, depende do profissional que o faz. A média é em torno de 10 pontos, mas já houve relatos de 35 pontos na episiorrafia!!! Uma total aberração!!!
   


   Durante muitos anos, acreditou-se que a episiotomia fosse imprescindível para preservar a musculatura perineal da mulher. Hoje já se sabe que não é o caso: pesquisas já apontaram que a episiotomia não melhora os resultados perinatais, não facilita a cicatrização da área e não preserva a musculatura perineal. Além disso, não existem indicações precisas de quando essa intervenção deveria ser usada. Na verdade, a Episiotomia é uma intervenção desnecessária, que é geralmente feita apenas por hábito do médico.
     Por isso, a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de restringir o uso da técnica para que as taxas não ultrapassem os 10%. Por aqui, ela ainda é feita rotineiramente e se soma a outros procedimentos que colocam o Brasil numa posição desconfortável diante do que é preconizado pela OMS como boas práticas de atenção ao parto e ao nascimento, como a incidência altíssima de cesarianas (88% na rede privada, 46% na rede pública e média nacional de 52%, frente a uma recomendação de 15%) e o percentual de apenas 5% de parto natural (ou seja, sem nenhuma intervenção). A pesquisa ‘Nascer no Brasil’, divulgada em junho do ano passado, revelou que 53,5% das mulheres que têm seus bebês via vaginal são submetidas à episiotomia. Ou seja, “quando não se corta por cima, se corta por baixo”.
   As "indicações" relatadas por alguns médicos são:  mulheres com rigidez no períneo, parto pélvico (quando o bebê está sentado), sofrimento fetal e macrossomia (excesso de peso do bebê) ou, ainda, em parto de prematuros – já que a cabeça ainda não está completamente formada, a ampliação cirúrgica ajuda a evita hemorragias cranianas. Estes casos representam 10% dos partos normais, de acordo com a OMS. Porém, essas supostas indicações não tem nenhum respaldo científico, as complicações superaram qualquer benefício que pudesse existir. Existem estratégias para deixar a musculatura mais elástica e facilitar o parto normal, como massagem e pompoarismo. Até exercícios físicos mais leves, como caminhada, ajudam (será assunto do próximo post).
   A OMS não indica em quais situações a episiotomia dever ser feita. Melania Amorim (obstetra) é categórica: “não há benefício nenhum no procedimento e nenhuma das indicações alegadas por quem faz têm respaldo científico”. Há 12 anos, a taxa da especialista é zero e ela, que é professora do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), hospital-escola da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), sequer ensina a técnica aos alunos.
   Na verdade o que existem são médicos que foram treinados para isso e usam a desculpa de quer suturar uma episio é melhor do que uma laceração, em outras palavras, é mais cômodo para ele!
  Uma Epísio não impede de haver laceração natural, não diminui significativamente o tempo do expulsivo, não impede sequelas na musculatura do assoalho pélvico e ainda acaba aumentando a perda de sangue durante o parto!
   As consequências podem ser drásticas: quando os pontos não são feitos corretamente, há risco de fibrose, dor prolongada, dificuldade de cicatrização e perda da sensibilidade na região. Alguns estudos da Biblioteca de Cochrane (ONG mundial que revisa publicações da medicina) mostram que a episiotomia pode trazer complicações graves, como laceração e frouxidão na região perineal, que, por sua vez, levam a problemas intestinais ou, até mesmo, na contenção de órgãos como o intestino. 
   A Episiotomia é, muitas vezes, a parte mais traumatizante do parto. Todas as mulheres, sem excessão, temem passar por isso (algumas mulheres têm tanto medo que preferem optar por fazer uma cesariana só para escapar da Epísio). As que são submetidas ao procedimento muitas vezes relatam sensações extremamente desagradáveis, como a sensação de ter sido abusada ou mutilada. Efetivamente, por não haver indicação precisa e ser feita apenas por costume, a Episiotomia poderia ser considerada uma mutilação genital. Na maioria das vezes a Episiotomia é feita sem o consentimento da mulher, o que faz com que seja um procedimento extremamente violento e doloroso, tanto física quanto psicologicamente.

Foto projeto 1:4 Retratos da violência obstétrica


     Diante de tudo o que foi exposto aqui, podemos ver que a episiotomia é uma grave violência obstétrica, onde centenas de mulheres são mutiladas todos os dias sem nem sequer o por quê e para quê!!! Existem diversos relatos na internet de mulheres que sofreram esse tipo de abuso, onde as consequências mais relatadas são a dispaurenia (dor durante relação sexual), não conseguir sentar, dor prolongada, perda de sensibilidade.
     Sempre que participo de grupos de gestantes ou quando estou acompanhando alguma mulher como doula, pergunto se ela teve ou está tendo alguma preparação do períneo para o parto. 100% dizem que não!!! Isso se torna fator prejudicial para a mulher que quer ter seu filho de forma natural. Então, é preciso inserir essa prática nas consultas de pré-natal para que não só a episiotomia seja evitada, mas que grandes lacerações também sejam evitadas. Esta informação e preparo deve vir antes, na hora do parto não dá mais! Existem vários exercícios, simples, que a mulher pode fazer até mesmo em casa, desde que tenha prévia orientação de um profissional, e de baixo custo que vão ajudar a dar elasticidade ao períneo e a toda a musculatura que será importante na hora do parto. 
   Nós, mulheres, é que temos que dizer: chega! Precisamos nos informar e denunciar para que essa prática seja abolida. Não seja mais uma vítima do sistema!!!

Fontes consultadas:


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Parto Humanizado!!! #PapoDeCegonha

Boa noite gente!!!

A TV Assembléia da Paraíba está com um programa lindíssimo, o Papo de Cegonha!!! A estreia foi com o tema Parto Humanizado falando sobre parto, doula e eu não podia deixar de compartilhar com vcs!!!

É só clicar para assistir!!



sábado, 20 de dezembro de 2014

Doula: Mulher que serve a outra mulher!!!

  Hoje vim falar com muito prazer, amor e orgulho de uma profissional que está fazendo grande diferença nos partos no Brasil e no mundo, a Doula!!!
   Doula é uma palavra de origem grega que significa mulher servente. Historicamente, foi usada para descrever aquela que assiste a mulher em casa após o parto, cozinhando para ela, ajudando a cuidar das outras crianças, auxiliando nos cuidados com o bebê, entre outras atividades domésticas. No contexto atual, este termo refere-se àquela que está ao lado, que interage com, que ajuda a mulher em algum momento durante o período perinatal, seja na gravidez, no trabalho de parto ou nos cuidados com o bebê. 

O que a doula faz?

Antes do parto: Ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, com dialogo, explicações exercícios.

Durante o parto: A doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. A doula, além do apoio emocional, deve fornecer informações à parturiente sobre todo o desenrolar do trabalho de parto e parto, intervenções e procedimentos necessários, para que a mulher possa participar de fato das decisões acerca das condutas a serem tomadas durante este período. Durante o trabalho de parto e parto, a doula:
Orienta a mulher a assumir a posição que mais lhe agrade durante as contrações;
Favorece a manutenção de um ambiente tranquilo e acolhedor, com silêncio e privacidade;
Auxilia na utilização de técnicas respiratórias, massagens e banhos mornos;
Orienta a mulher sobre os métodos para o alívio da dor que podem ser utilizados, se necessários;
 Estimula a participação do marido ou companheiro em todo o processo;
Apoia e orienta a mulher durante todo o período expulsivo, incluindo a possibilidade da liberdade de escolha quanto à posição a ser adotada.
Segurar a mão da mulher, respirar com ela, prover encorajamento e tranqüilidade.  oferece apoio psicológico. 

Após o parto: Ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.

A doula e o pai ou acompanhante

A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai muitas vezes não sabe bem como se comportar naquele momento. Não sabe exatamente o que está acontecendo, preocupa-se com a mulher, acaba esquecendo de si próprio. Não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está precisando nessa ou naquela fase do trabalho de parto.
Eventualmente o pai sente-se embaraçado ao demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira. A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.

O que a doula não faz?

A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.

Vantagens de ter uma doula

As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:
  • diminuir em 50% as taxas de cesárea
  • diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
  • diminuir em 60% os pedidos de anestesia
  • diminuir em 40% o uso da oxitocina
  • diminuir em 40% o uso de forceps.
Além das pesquisas comprovarem os benefícios das doulas durante o trabalho de parto, um acompanhamento durante a gestação torna a mulher segura, informada e empoderada para que a mesma não sofra violência obstétrica e seu parto seja conforme sua vontade!!!

OBS: Felizmente não temos comprovação científica nem informações de alguma desvantagem que a presença da doula cause!!!

   A presença da doula no cuidado à mulher no período perinatal significa alívio da dor, apoio, coragem, amor e paz. Desenvolve uma escuta ativa, aprende a ser mais receptiva, e deixa a mulher falar quando sente necessidade, comunica-se por meio do toque, de atitudes, com o olhar, e principalmente, do cuidado. Assim sendo, promove autoconfiança, estimula a auto-estima da mulher, fazendo- a acreditar na sua capacidade. Para isso, a doula se amolda ao momento, estando plenamente integrada com os sentimentos da parturiente e respeitando a vontade de cada mulher. Este clima de acolhimento e respeito representa segurança e coragem para a mulher.

Agora que vc já sabe dessa super e importante ajude contrate uma doula para lhe orientar durante seu período gestacional ou procure uma maternidade que disponha das doulas comunitárias para lhe ajudar no trabalho de parto e parto.

Se a doula fosse um remédio, seria antiético não receitar!
John H. Kennel




quarta-feira, 11 de junho de 2014

Programa de Humanização do Parto pelo Ministério da saúde


    


      Aqui vão alguns pontos importantes sobre o Programa de Humanização do Parto criado pelo Ministério da saúde.

     O Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento foi instituído pelo Ministério da Saúde através da Portaria/GM n.o 569, de 1/6/2000, subsidiado nas análises das necessidades de atenção específica à gestante, ao recém nascido e à mãe no período pós-parto, considerando como prioridades:

  1. Concentrar esforços no sentido de reduzir as altas taxas de morbimortalidade materna, peri e neonatal registradas no país;
  2. Adotar medidas que assegurem a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto, puerpério e neonatal;
  3. Ampliar as ações já adotadas pelo Ministério da Saúde na área de atenção à gestante, como os investimentos nas redes estaduais de assistência à gestação de alto risco, o incremento do custeio de procedimentos específicos, e outras ações como o Maternidade Segura, o Projeto de Capacitação de Parteiras Tradicionais, além da destinação de recursos para treinamento e capacitação de profissionais diretamente ligados a esta área de atenção, e a realização de investimentos nas unidades hospitalares integrantes destas redes.

      O objetivo primordial do Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN) é assegurar a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto e puerpério às gestantes e ao recém-nascido, na perspectiva dos direitos de cidadania. O Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento fundamenta-se nos preceitos de que a humanização da Assistência Obstétrica e Neonatal é condição primeira para o adequado acompanhamento do parto e do puerpério. A humanização compreende pelo menos dois aspectos fundamentais. 
  1. O primeiro diz respeito à convicção de que é dever das unidades de saúde receber com dignidade a mulher, seus familiares e o recém nascido. Isto requer atitude ética e solidária por parte dos profissionais de saúde e a organização da instituição de modo a criar um ambiente acolhedor e a instituir rotinas hospitalares que rompam com o tradicional isolamento imposto à mulher. 
  2. O outro se refere à adoção de medidas e procedimentos sabidamente benéficos para o acompanhamento do parto e do nascimento, evitando práticas intervencionistas desnecessárias, que embora tradicionalmente realizadas não beneficiam a mulher nem o recém nascido, e que com freqüência acarretam maiores riscos para ambos.

O Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento está estruturada nos seguintes princípios:

  • Toda gestante tem direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério;
  • Toda gestante tem direito de saber e ter assegurado o acesso à maternidade em que será atendida no momento do parto;
  • Toda gestante tem direito à assistência ao parto e ao puerpério e que esta seja realizada de forma humanizada e segura, de acordo com os princípios gerais e condições estabelecidas na prática médica;
  • Todo recém-nascido tem direito à assistência neonatal de forma humanizada e segura.
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domingo, 8 de junho de 2014

Humanização do Parto!

     
                                               

      O humanismo tem como princípio não seguir o modelo convencional, elevando a mulher a sujeito, dando-lhe direito a escolhas, valorizando a participação da família e procurando incentivar máximo a participação ativa do acompanhante na hora do parto. A gestação e o parto são processos que geralmente transcorrem sem complicações. Em vista disso, é necessário que o profissional de saúde tenha uma visão crítica, evitando intervenções desnecessárias e potencialmente iatrogênicas.

Humanizar significa respeitar a individualidade da mulher!!!

   De acordo com Diniz e Chacham, "a assistência mais efetiva seria, portanto, centrada nas necessidades das parturientes, em vez de organizada segundo as necessidades de instituições e dos profissionais."

     O modelo de assistência obstétrica que encontramos,hoje, no Brasil, é caracterizado por um alto grau de medicalização e pelo uso abusivo de procedimentos invasivos. A humanização do parto viria como forma de garantir uma assistência baseada na evidência científica e na segurança, e não na conveniência de instituições ou profissionais. Concordando com Prado, humanizar o nascimento é adequá-lo a cada mãe, a cada pai, ou
seja, à família envolvida em cada nascimento. A técnica não pode tornar-se mais importante do que as pessoas envolvidas. O parto deve voltar a ser visto como um processo fisiológico natural e feminino.
    Destaca-se a importância do profissional de saúde na assistência ao pré-natal, parto e puerpério, de forma a instrumentalizar a gestante, tornando-a sujeito ativo em todos os acontecimentos relacionados ao parto. 

    
   Humanizar o parto não significa fazer ou não o parto normal, realizar ou não procedimentos intervencionistas, mas sim tornar a mulher protagonista desse evento e não mera espectadora, dando-lhe liberdade de escolha nos processos decisórios.



    Portanto, a assistência deve ser de forma a respeitar a dignidade das mulheres, sua autonomia e seu controle, garantindo a criação de laços familiares mais fortes e conseqüentemente um começo de vida com boas condições físicas e emocionais ao bebê. Entretanto, vemos que na prática ninguém empodera ninguém.

Referências:
SEIBERT, S.L.; BARBOSA, J.L.S.; SANTOS, J.M.; VARGENS, O.M.C. Medicalização X Humanização: O cuidado ao parto na história. R. Enferm. UERJ.V. 13, 2005. 

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